Guns N' Roses encerra o São Paulo Trip em noite memorável

Os relógios marcavam 20:30, horário previsto para o início da apresentação da banda principal da noite, Guns N' Roses, mas se passaram alguns bons minutos antes do show de fato começar.

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Guns N' Roses encerra o São Paulo Trip em noite memorável Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

O pequeno atraso, no entanto, não fez nem cócegas nos fãs que já presenciaram atrasos de mais de uma hora em apresentações da banda. Vale lembrar que esses atrasos enormes não acontecem desde que a atual turnê Not in This Lifetime começou, no ano passado. Turnê que, aliás, está passando pela segunda vez no Brasil – e terceira em São Paulo – em menos de 1 ano.

Sem mais delongas, ao som de It’s So Easy, o Guns finalmente entrou no palco. Aquele era o momento onde muitos fãs que não puderam comparecer aos shows do ano passado, nem ao Rock in Rio, puderam finalmente presenciar Axl, Slash e Duff juntos, no mesmo palco. Algo que, pra muitos, era inacreditável. O show começou muito energético e trouxe hits como Mr. Brownstone, Chinese Democracy, Welcome to the Jungle e Double Talkin’ Jive numa sequência arrebatadora, dando uma “pausa” apenas em Better, que apesar de ser muito querida entre os fãs, é um dos momentos onde podemos notar os problemas na voz de Axl Rose.

Voz polêmica para um vocalista polêmico

Sim, é fato que não se pode esperar que o Axl, atualmente com 55 anos, cante como nos anos 80. Ainda que hajam comparações – injustas – com o Steven Tyler (vocalista do Aerosmith), de 69 anos, são situações e histórias diferentes. Axl Rose é conhecido por ter um dos maiores alcances vocais de todos os tempos, mas também é conhecido por não ter cuidado muito da voz e ter usado, durante um bom tempo, a técnica de vocal rasgado (o drive) de forma errada. O que poderia ter prejudicado sua voz… e prejudicou. Esses problemas, no entanto, não são recentes e já até foram “superados” pelo vocalista, que vem cantando muito melhor durante essa turnê do que há alguns anos.

Guns N

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

O que trouxe à tona as falhas do vocalista foi a controversa apresentação no festival Rock in Rio, no último sábado, que dividiu opiniões ente os telespectadores, que comparavam a voz do cantor com a do Mickey. Quem estava presente no Rock in Rio alega que a voz não estava nem de perto tão ruim quanto aparentava na TV. E é algo que faz muito sentido, uma vez que a qualidade de som mostrada em transmissões ao vivo é realmente muito baixa. Fato é que muitos ali no Allianz estavam aguardando, com certo receio, o que estaria por vir.

E o resultado foi bem melhor do que o esperado. Os fãs puderam tirar a prova de que, mesmo sem a voz dos anos 80, o Axl Rose dos drives inesquecíveis e do grave marcante ainda está ali e não veio pra brincadeira. Correndo de um lado do palco para o outro, diversas vezes, o vocalista mostrou que está em forma – na medida do possível – e que pode sim aguentar mais de 3 horas de show. A longa duração, que foi motivo de preocupação para muitos, pareceu bem menor e menos cansativa na prática.

Nem só de Axl Rose vive o Guns – ainda bem

Quem parece não ter perdido o jeito é Slash, que convenhamos é um show à parte. A cada música, temos a sensação de que a vontade de mostrar que ele está de volta é ainda maior. Praticamente sem deslizes, o virtuoso guitarrista repete alguns de seus solos históricos como os de November Rain, Sweet Child o’ Mine e o clássico The Godfather Theme, como se fosse a primeira vez.

Guns N

Foto: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Outro que parece estar cada vez mais jovem é o Duff Mckagan, que “substituiu” Axl Rose no posto de galã da banda, e se mantem sempre impecável no palco. Seu baixo marcante, principalmente em Coma, é uma das coisas mais prazerosas de se ouvir nos shows do Guns. E já que estamos falando dos integrantes clássicos, é difícil não se emocionar com o solo de Dizzy Reed em Estranged.

Os “novatos” também têm sua parcela no sucesso do show. Tanto Frank Ferrer, baterista, quando Melissa Reese, tecladista, vêm conquistando, cada vez mais os fãs exigentes da banda, e não é pra menos, os dois seguram muito bem as pontas, deixando o show amarradinho, mas quem parece já ter garantido seu espaço mesmo é o talentoso guitarrista Richard Fortus, que divide vários momentos importantes com o veterano Slash.

Show quente, plateia fria

Se o Guns surpreendeu positivamente, o público foi pelo caminho contrário. Em muitos momentos, era perceptível o silêncio de muitos que estavam presentes, mesmo durante os maiores hits. As pessoas pareciam querer apenas observar – e registrar com vídeos e selfies – o show. Mesmo ali do lado da grade, havia muitas pessoas que simplesmente não se mexiam, mas alegavam estar curtindo o show. O que frustrava os fãs que, de fato, estavam ali cantando e pulando em todas as músicas.

Inclusive em November Rain, onde a plateia enche bexigas vermelhas, transformando o estádio em uma linda homenagem à banda, a interação foi mais fraca – e bota fraca nisso – em comparação aos dois shows de 2016 no mesmo estádio. Ainda assim, foi o público mais animado dos 4 dias de festival.

Chuva de hits

A banda, que já foi considerada a “mais perigosa do mundo”, trouxe quase o mesmo setlist do Rock in Rio para São Paulo, salvo a retirada Sorry e a troca de Whola Lotta Rosie, do AC/DC pelo cover de James Brown, I Feel Good. Aliás, a quantidade de covers é um assunto que tem sido bem controverso nas apresentações da banda, uma vez que muitos fãs alegam que o tempo – e voz do Axl – gastos em cover, poderiam ser usados para tocar músicas que são frequentemente pedidas pelos fãs, como por exemplo Dead Horse.

Mas isso não estragou o show, que contou com hits históricos como Civil War, Rocket Queen, You Could Be Mine, Yesterdays, Nightrain, Don’t Cry e Patience. Ufa, é sucesso pra ninguém botar defeito. Com pouco mais de 3 horas de duração, a banda, que quase não interagiu verbalmente com os fãs, fez o bis com The Seeker, cover de The Who e a lendária Paradise City, com direito a chuva de papéis picados e muitos, mas muitos aplausos do público. O Guns n’ Roses fechou o último dia do São Paulo Trip com saldo positivo, além de tranquilizar os fãs mais céticos.

E assim terminou o último dia de shows do São Paulo Trip, com shows de alta qualidade para ninguém botar defeito.

Setlist do Guns N’ Roses:

1. It’s So Easy
2. Mr. Brownstone
3. Chinese Democracy
4. Welcome To The Jungle
5. Double Talkin’ Jive
6. Better
7. Estranged
8. Live and Let Die (Wings cover)
9. Rocket Queen
10. You Could Be Mine
11. New Rose (The Damned cover)
12. This I Love
13. Civil War
14. Yesterdays
15. Coma
16. Slash Guitar Solo
17. Speak Softly Love
18. Sweet Child O’ Mine
19. Wichita Lineman (Jimmy Webb cover)
20. Used To Love Her
21. My Michelle
22. Wish You Were Here (Pink Floyd cover)
23. November Rain
24. Black Hole Sun (Soundgarden cover)
25. Knockin’ On Heaven’s Door
26. I Got You (I Feel Good) (James Brown cover)
27. Nightrain
Bis:
28. Don’t Cry
29. Patience
30. The Seeker (The Who cover)
31. Paradise City

Com mais informações UR

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