Aerosmith no Rock in Rio 2017

Banda privilegia o hard rock em uma apresentação sem concessões que ficou marcado também pela postura arisca de Steven Tyler. Um dos shows mais roqueiro do festival até agora.

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Aerosmith no Rock in Rio 2017 Joe Perry e Steven Tyler comandaram o show do Aerosmith no Rock in Rio 2017 (Foto: Agência O Globo)

Com a popularização do Aerosmith na MTV e nas rádios a partir dos anos 1990, seria de esperar que a banda de Steven Tyler viesse de forma previsível ao Rock in Rio 2017, como o headliner da primeira noite roqueira. Os veteranos doutrinaram no encerramento da primeira noite da segunda semana do Rock in Rio. Comandados pela dupla Steven Tyler e Joe Perry, o Aerosmith deu uma aula de "rock de arena" no Palco Mundo, num show em que repassou os principais sucessos da sua carreira — incluindo até um cover de "Come together", dos Beatles — e alcançou uma comunhão com o público raras vezes vista nesta edição do festival.

Aerosmith tocou alguns hits de forma literal, próxima ao do registro de álbum, mas o show ficou marcado pelo peso instrumental, às vezes em franca jam session, com que algumas faixas se estendiam. Ficou marcado também pela postura arisca de Steven Tyler.

  • Aerosmith no Rock in Rio 2017Steven Tyler esbanja vitalidade e levanta o público na Cidade do Rock, que canta junto à banda todos os seus hits (Foto: Agência O Globo)
  • Aerosmith no Rock in Rio 2017Uma série de fotografias de mais de 40 anos de carreira do Aerosmith introduziu o show da banda de Boston no Palco Mundo. Em sua terceira vinda ao Rio — a primeira ao Rock in Rio — o quinteto enfileirou enfileirar sucessos, como "Love in an elevator", "Cryin'" e "Livin' on the edge" (Foto: Agência O Globo)
  • Aerosmith no Rock in Rio 2017Ao lado do guitarrista Joe Perry, Steven Tyler abre o show do Aerosmith com o hit "Let the music do the talking" (Foto: Agência O Globo)

Se uma banda abre seu show tocando "Carmina Burana" enquanto repassa sua discografia, é porque ela leva a sério suas pretensões. E se em seguida a banda começa com uma música que pede para "deixar a música falar por si", então o recado fica mais evidente; foi o que fez o Aerosmith, e "Let the Music do the Talking" se alonga bastante no instrumental antes que Steven Tyler comece a soltar a voz. Não que o Aerosmith chegue todo imprevisível (demora só duas músicas para Joe Perry desgrudar em "Love in an Elevator" e partir para o canto do palco levando o holofote, enquanto Steven Tyler rodopia) mas esse começo de show realmente traz suas surpresas.

Apesar dos 69 anos, Steven Tyler não poupa sua voz, inclusive canta versos uma nota acima, que saem quase gritados, como em "Love in an Elevator", e depois faz tanto a primeira quanto a segunda voz, em "Living on the Edge". Essa disposição cobra seu preço depois, quando a voz do vocalista começa a ratear, e já no final de "Crazy" e ao longo de "Eat the Rich" Steven Tyler está economizando nos berros. O público compensa: em "Crying" assistimos ao primeiro grande coro deste Rock in Rio, daqueles capazes de rivalizar com o som. No geral Steven Tyler se mostra arredio, chega na ponta do palco mas tampa o rosto e fica de lado, em "Living on the Edge", ou então desafia o público nas suas interações: "fiquem calmos", "não venham ficar quietos agora", diz, antes de arriscar uma frase em português que ninguém entende.

A desaceleração do público, que já completava horas de festival, foi evidente. Mas Steven Tyler quebrou a baixa de energia no gogó, com "Crazy", balada entre as mais conhecidas no repertório do grupo.

Com o fim do show, após "Dude", a plateia fez um pedido de bis hesitante. A banda voltou para performar "Dream On", que Steven Tyler iniciou ao piano, e "Walk This Way" fechou a noite, às 2h30.

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